segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

20 Centímetros

20 Centímetros

Sinopse
Marieta é um travesti que gostaria de se ver livre dos 20 centímetros que a separam de ser a fascinante mulher com que sonha, quando sucumbe às crises de narcolepsia. Nos seus sonhos coloridos, ela é a atração principal de variados, surpreendentes e suntuosos números musicais, onde tem a capacidade de cantar maravilhosamente e falar diferentes línguas. Qual É O Tamanho Da Felicidade?


Informações Técnicas
Título no Brasil: 20 centímetros
Título Original: 20 centímetros
País de Origem: França / Espanha
Gênero: Comédia
Classificação etária: 18 anos
Tempo de Duração: 112 minutos
Ano de Lançamento: 2005
Site Oficial: http://www.20centimeters.com
Estúdio/Distrib.: Estudios Picasso
Direção: Ramón Salazar

Elenco
Mónica Cervera ... Marieta
Pablo Puyol ... El reponedor
Miguel O'Dogherty ... Tomás
Concha Galán ... Berta
Macarena Gómez ... Rebeca
Lola Dueñas ... Hermana de Rebeca
Pilar Bardem ... Candelaria
Juan Sanz ... Gustavo
Rossy de Palma ... Ice Box
Najwa Nimri ... Bunny
Geli Albaladejo ... Empleada ETT
Fany de Castro ... Fruit Stocker's Mother
Vicente Haro ... Fruit Stocker's Father
María Lalane ... Maestra
Pep Noguera ... Superior
Trilha Sonora
“Tómbola”
Escrita por Augusto Algueró padre e Antonio Guijarro
Interpretada por Mónica Cervera
“En un bosque de la China”
Escrita por Roberto Ratto e Benjamin Yankelevich
Interpretada por Mónica Cervera
“Muchachita”
Escrita por Augusto Algueró padre e Antonio Guijarro
Interpretada por Mónica Cervera
“Quiero”
Escrita por Salvatore Adamo
Interpretada por Salvatore Adamo
“Parole Parole”
Escrita por Leo Chiosso, Giancarlo Del Re e Gianni Ferrio
Interpretada por Mónica Cervera
“Piel canela”
Escrita por Bobby Capó
Interpretada por Pablo Puyol
“I Only Want To Be With You”
Escrita por Mike Hawker e Ivor Raymonde
Interpretada por Mónica Cervera
“La máscara”
Escrita por Augusto Algueró padre e Antonio Guijarro
Interpretada por Mónica Cervera
“Quiero ser santa”
Escrita por Eduardo Benavente, Nacho Canut, Ana Isabel Fernandez e Olvido Gara
Interpretada por Mónica Cervera
“Pixie”
Escrita por Ani Difranco
Interpretada por Najwa Nimri
“Boys, Boys, Boys”
Escrita por Bosanto, Rossi e Charlton-Cecchetto
Interpretada por Najwa Nimri
“True Blue”
Escrita por Stephen Bray e Madonna
Interpretada por Mónica Cervera
“I Want To Break Free”
Escrita por John Deacon
Interpretada por Mónica Cervera
“Verde que te quiero verde”
Escrita por Federico García Lorca e Jose Manuel Ortega Heredia
Interpretada por Pascal Gaigne
“Changes”
Escrita por David Bowie
Interpretada por Mónica Cervera

sábado, 24 de outubro de 2009

Mundo Ácido: A crítica (in)correta de Sacha Baron Cohen

Originalmente publicado em www.aquirola.com.br

 Controverso, polêmico e com um senso de humor ferino, o ator inglês, Sacha Baron Cohen, não poupa praticamente ninguém em suas contundentes críticas sociais. Em uma espécie de crítica reversa, nos revela atitudes e pensamentos escondidos em cada um de nós, causando paixão e ódio por onde passa.


O mundo das artes sempre nos traz boas revelações que nos fazem questionar conceitos e crenças. Não é de hoje que tipos irreverentes fazem sucesso e são alvo de críticas. O sucesso acaba muitas vezes sendo alavancado pelas mesmas opiniões desfavoráveis. Nos últimos anos o mundo cinematográfico tem aprendido conviver com um novo enfant terrible. Seu nome é Sacha Baron Cohen, um inglês descendente de judeus que não tem problema de dar vida a figuras caricatas, bizarras, mas essencialmente críticas em sua essência.
Absurdos, escrachos, feridas expostas, ou mensagens implícitas, fazem parte da crítica feroz e sem rodeios do mundo de Sacha Baron Cohen. O homem que já encarnou tipos variados vai, cada vez mais, lapidando seu sucesso com temas e personagens controversos. Baron Cohen já viveu o patético, atrapalhado, mas carismático “projeto” de rapper inglês Ali G, o repórter cazaque, cara de pau e sem medo de suas perguntas ácidas, Borat, e deu vida e ganhou o mundo com o deslumbrado fashionista Brüno, em busca pela celebração. Todos estes tipos, cada qual à sua maneira, não tem medo de suas personalidades marcantes, sem medo de censuras, sem hipocrisias, e muito menos sem medo do que dizem.

O próprio Sacha Baron Cohen parece não se sentir tão à vontade quando não está caracterizado de um de seus personagens ferinos. Na maioria de suas entrevistas à imprensa, Baron Cohen não é ele mesmo, mas sim algum personagem em destaque no momento. Quando de sua primeira entrevista de cara limpa, para a revista Rolling Stone, o ator inglês admitiu achar difícil dizer o que pensa. “Acho que você pode se esconder por trás dos personagens e fazer coisas que seriam difíceis sendo você mesmo.” Ao contrário de seus alter-egos, Baron Cohen é um pouco mais escrupuloso, mas parece estar aprendendo muito com suas criaturas. Um exemplo foi durante a apresentação do Globo de Ouro de melhor filme – comédia ou musical em 2009, quando o ator fazia graça com a crise econômica que também afetava as celebridades. Em meio às gargalhadas da platéia disse: “...até Madonna teve que se livrar de um de seus assistentes pessoais. Nossos sentimentos vão para  você Guy Ritchie.Qual é?” Ele referia-se a então separação do casal. A resposta veio em forma de um silêncio incrédulo de alguns, riso de outros e até algumas vaias. Este é exatamente o mesmo tipo de reação para seus filmes e suas criações. Amor ou ódio, sem meio termo. O que mais fazem seus personagens, em suas perguntas cretinas, que deixam suas “vítimas” atônitas, é trazer à tona toda a impaciência e intolerância de seus entrevistados, revelando suas verdadeiras essências.

A crítica ferrenha aos preconceitos e situações patéticas e absurdas do cotidiano são uma constante nos filmes de Baron Cohen. Historiador por formação, o ator teve boa parte de suas pesquisas embasadas em diferentes formas de preconceito e no anti-semitismo. Sua crítica reversa causa desconforto e má interpretação, principalmente de alguns radicais desavisados que vêem um incentivo às manifestações separatistas como a homofobia, a segregação racial e o preconceito. Com expressões explícitas de separatismo e intolerância, os personagens interpretados por ele buscam despertar em cada espectador os mesmos sentimentos preconceituosos vistos na tela e que podem habitar em todos nós.  É um alerta de quanto hipócritas somos muitas vezes, quando concordamos com as situações mostradas, ou uma forma sarcástica e dura de mostrar as tantas atitudes e demonstrações de violência social que rodeiam nosso dia a dia.

Com Ali G nos trouxe um sujeito suburbano, que vive com sua avó na zona oeste de Londres. Apesar de sempre buscar ser o rebelde branco com espírito negro. De pouca educação e fama de rebelde, ele é um tanto ingênuo em seus questionamentos e pensamentos particulares, às vezes infantis, deixando seus pares confusos. Em geral tem um linguajar incorreto e próprio, com dificuldade de soletração, causando interpretações engraçadas. Segundo Baron Cohen, Ali-G é uma paródia aos jovens brancos privilegiados que tentam ter “atitudes negras”. O personagem mistura a cultura negra e jamaicana, principalmente baseada no reggae, hip-hop, jungle e soul em uma salada cultural.
Borat é um anti-semita, homofóbico e preconceituoso repórter do Kazaquistão que na versão longa metragem, percorre os Estados Unidos em uma van, mostrando os pontos de vista sócio culturais do país. Através de suas incursões em entrevistas bizarras e perguntas desconcertantes, Borat revela contrastes culturais e atitudes. Sendo Borat um pretenso anti-semita ele serve “essencialmente como uma ferramenta. Passando-se por anti-semita, ele faz com que as pessoas baixem a guarda e exponham seus próprios preconceitos”, explica o ator.
Descendente de um sobrevivente do Holocausto, e ele mesmo seguidor das tradições judaicas, Baron Cohen pretende com seu personagem expor o papel da indiferença com que são tratadas algumas questões, como o caso de demonstrações anti-semitas. Um exemplo de seus questionamentos pode ser visto em uma sequência de Borat, onde um grupo canta “In my Country There is Problem” (Em Meu País Há Problema). Baron Cohen explica: “Ela revela que eles são anti-semitas? Talvez. Mas talvez revele que eles estavam indiferentes ao anti-semitismo.” Cohen é bem embasado e revela uma inspiração em um ex-professor, citando o historiador, especialista no Terceiro Reich, Ian Kershaw, que dizia que “o caminho para Auschwitz foi construído com ódio, mas pavimentado com indiferença.” Entre entrevistas, perseguições e conhecendo diferentes tipos anônimos ou célebres, Borat revela um país desconhecido até mesmo dos próprios estadunidenses.

O mundo da moda, das celebridades e da busca pelos minutos de fama também são alvo de Baron Cohen. O personagem gay, Brüno, é um apresentador de um programa de moda, que assim como Ali G e Borat, não mede palavras. Em suas entrevistas, o personagem austríaco, tem o poder de deixar os entrevistados completamente embaraçados em suas declarações provocativas e afiadas, levando seus alvos às contradições. Brüno, O filme, traz mais demonstrações claras de uma crítica reversa ao mostrar a luta do personagem pelo estrelato e por seu espaço no mundo das celebridades, muitas vezes nem tão célebres assim. Todo o esforço é valido para galgar os degraus da fama, até mesmo tentar mudar sua orientação sexual, já que famosos como Brad Pitt e  Tom Cruise são heterossexuais. Em sua busca, ele tenta conviver com tipos machistas e homofóbicos, levantando mais uma vez a temática da intolerância. Antes mesmo do lançamento do longa metragem, Sacha Baron Cohen já era motivo de críticas e protestos de diferentes segmentos, inclusive de militantes gays que viram no personagem um incentivo ao preconceito e não o contrário, como propõe seu criador. Em Brüno, Baron Cohen revela um gay estereotipado, que muitos acham “bonitinho” ou “engraçado”, mas que quando abre a boca e solta o verbo em suas perguntas ou colocações, passa a ser indesejado por despertar as contradições e a repulsa de muita gente, mascaradas de benevolência, compreensão e aceitação.

Com seus tipos variados e de diferentes origens, Baron Cohen parece tentar mostrar que o mundo está repleto de personagens diversos. Independente de orientações sexuais, crenças religiosas, classes sociais ou preferências políticas. Bons personagens, como os tipos de Baron Cohen, assim como bons filmes tem por base uma boa idéia inicial que vão sendo moldadas ao  longo de seu desenvolvimento. Estes tipos que nasceram na TV inglesa chegaram às telas dos cinemas do mundo para fazer graça, mas também para questionar e fazer pensar. Com seu humor ácido e sem meias palavras eles contestam e criticam.

Muitos tem sido os fracassos cinematográficos de grandes idéias mal desenvolvidas ou administradas. Por vezes, a idéia e a mensagem se perdem por conta de clichês e comercialismos. Uma boa idéia e um bom desenvolvimento podem, então, cair no desagrado de muitos por sua crítica fria e incisiva. No caso de Sacha Baron Cohen, o sucesso, não no tocante àquela crítica a seus personagens, mas de sua própria crítica de costumes e comportamentos, parece estar bem apoiado e fundado em uma equipe de produção que sabe transformar suas idéias em algo concreto. Por conta de falsos moralismos, ou por fazerem parte de convenções não tão sadias, muitos preferem fechar os olhos para absurdos que nos rodeiam todos os dias, rechaçando uma crítica contundente e não são bem vindos. Baron Cohen parece não se importar muito com as críticas que recebe e segue sua carreira em meio às polêmicas, sendo comentado, fazendo sucesso e provavelmente já pensando em suas novas armações contestadoras.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

MILK

Ativista dos direitos gays, amigo, amante, político, inspiração, ícone... muitas são as expressões que poderiam descrever Havey Milk, o primeiro político abertamente gay dos Estados Unidos. Milk foi um dos precursores no ativismo gay no país, contrariando religiosos e conservadores, conseguindo aprovar as primeiras medidas anti discriminatórias, a partir da cidade de São Francisco, Califórnia. A vida anti discriminação, iniciada na famosa rua Castro, em São Francisco, hoje reduto de maioria gay, chega às telas do cinema pelo diretor Gus Van Sant.

De idosos a sindicatos de trabalhadores, da comunidade gay a donas de casa entediadas, Harvey Milk foi responsável por mudanças de pensamentos e comportamentos entre Estadunidenses, em se tratando de direitos humanos. O filme conta os últimos anos da vida de Milk, que buscando um propósito maior, muda-se de Nova Iorque para São Francisco com seu namorado, Scott Smith (interpretado por James Franco). Assim que chegam a cidade, abrem um negócio (Castro Cameras) e Milk dá inicio a uma verdadeira revolução na área. Ele vira então uma espécie de "prefeito" da rua e é a quem muitos recorrem quando alguma divergência ou confusão acontece. Surge então o político e ativista, com uma carreira curta, porém impactante.

Van Sant nos brinda com mais uma grande direção levando seu elenco a grandes atuações. Dentre estas atuações o grande destaque é a estonteante e convincente performance do ator Sean Penn que faz o personagem título do filme. Sem caricaturas ou gestos exagerados, Penn mostra-se um ator maduro e sem medo de papéis considerados mais "ousados". Ele representa o político astuto, o amante apaixonado, o homem carismático, tudo a seu tempo e sempre cativando o espectador em mais uma bela interpretação. Dentre o elenco, basicamente masculino, há que se destacar também as atuações de James Franco (o Harry Osborn da trilogia Spiderman) como o grande amor de Milk, do mexicano Diego Luna (Y Tu Mamá Tambien), de Emile Hirsh (Into the Wild), como um dos fiéis seguidores, e Josh Brolin (No Country for Old Man), como o também político Dan White. Todos os quatro tem atuações marcantes e convincentes, principalmente pela naturalidade que mostram em cena, como se fossem trechos extraídos de filmes documentais.

Em se tratando de cenas documentais, o filme mistura cenas recuperadas de São Francisco e programas de televisão, com outras criadas e envelhecidas para o filme com perfeição. Não se pode distinguir com precisão em vários momentos o que é antigo e o que é novo. Aqui o destaque destas imagens recuperadas são as cenas da cantora Anita Bryant. Anita não é, em nenhum momento, representada por nenhuma atriz. Todas as cenas em que aparecem foram inseridas a partir de materiais de documentários, noticiários e mesmo comerciais. Personagem importante na estória contada, Anita Bryant foi uma fervorosa oposicionista aos homossexuais em campanhas declaradas na década de 70. Em sua trajetória anti-gay, foi protagonista de uma famosa cena onde recebe uma torta na cara de um ativista gay, quando fazia mais um pronunciamento preconceituoso.

Ainda que tenha tido seu lançamento* nos Estados Unidos um pouco tardio para padrões competitivos (outubro de 2008), o filme já levou vários prêmios em diferentes categorias, como melhor ator (Sean Penn) e ator coadjuvante (Josh Brolin), direção (Gus Van Sant) e roteiro (Dustin Lance Black).

Van Sant conseguiu fazer um filme que prende a atenção do espectador, apesar da temática extremamente política, que para muitos é um tema arrastado e enfadonho. A curta trajetória política de Harvey Milk, é mostrada de forma leve, porém séria, divertida em alguns momentos sem ser caricata, romântica sem ser melosa. Trata-se de um filme que deve com certeza fazer parte da prateleira não só de instituições LGBT mas de qualquer um que se interessa pelo tema, ou simplesmente coleciona bons filmes.

*Estréia prevista em 6 de fevereiro de 2009 no Brasil

Originalmente publicado em http://www.aquirola.com.br/

sábado, 3 de janeiro de 2009

Shortbus


Quem assiste aos primeiros minutos do filme Shortbus, pode logo pensar que o que está por vir é um desfile de cenas de sexo despropositadas e sem contexto. A exploração do sexo e sua pura exposição. Porém, as primeiras cenas apenas nos apresentam os principais personagens e seus conflitos pessoais. Passamos a conhecer um universo que está muito próximo a nós e que por vezes ignoramos de forma consciente ou não.

Observamos James, seus desejos, dúvidas amorosas e sexuais e o sentido de sua própria vida, e ainda seu relacionamento com o namorado Jamie. Entramos na intimidade de Sofia, a terapeuta sexual que nunca teve um orgasmo. Nos divertimos com Severin, a dominatrix com suas muitas aventuras e desventuras, que vira confidente de Sofia. Há ainda uma série de personagens secundários que ajudam a contar as estórias de amor, sexo e relacionamentos em tons que variam do dramático ao cômico.

No desenrolar da trama existe além das estórias dos personagens centrais, um universo de comportamentos, dramas, aflições e questionamentos sobre sexualidade e relacionamentos. Há o gay, a lésbica, o bissexual, o heterossexual, o jovem, o velho, o romântico, o compulsivo sexual... Todo este caleidoscópio está presente em um ambiente que é um misto de cabaré, clube, bordel, festa e consultório terapêutico chamado Sortbus. É neste ambiente que todos se despem de suas máscaras e extravasam suas fantasias e libertam-se de seus dramas e preconceitos.

Com relação às cenas de sexo o diretor John Cameron Mitchel explica: "Antigamente, quando não se podia mostrar cenas de sexo nos filmes, diretores como Alfred Hitchcock tinha metáforas para o sexo (trens entrando em túneis, etc). quando se pode mostrar cenas de sexo mais realistas, o sexo por si só pode ser uma metáfora para para outros aspectos da vida dos personagens. A forma com que as pessoas se expressam sexualmente podem dizer muito sobre quem são. Algumas pessoas me perguntam, 'Você não poderia ter contado a mesma estória sem a ser explícito?'. Eles não me perguntam se eu poderia ter feito Hedwig sem as canções. Por que não permitir o uso de cada cor da palheta de cores?"

Direção: John Cameron Mitchel
Ano: 2006
102 minutos