sábado, 3 de janeiro de 2009

Shortbus


Quem assiste aos primeiros minutos do filme Shortbus, pode logo pensar que o que está por vir é um desfile de cenas de sexo despropositadas e sem contexto. A exploração do sexo e sua pura exposição. Porém, as primeiras cenas apenas nos apresentam os principais personagens e seus conflitos pessoais. Passamos a conhecer um universo que está muito próximo a nós e que por vezes ignoramos de forma consciente ou não.

Observamos James, seus desejos, dúvidas amorosas e sexuais e o sentido de sua própria vida, e ainda seu relacionamento com o namorado Jamie. Entramos na intimidade de Sofia, a terapeuta sexual que nunca teve um orgasmo. Nos divertimos com Severin, a dominatrix com suas muitas aventuras e desventuras, que vira confidente de Sofia. Há ainda uma série de personagens secundários que ajudam a contar as estórias de amor, sexo e relacionamentos em tons que variam do dramático ao cômico.

No desenrolar da trama existe além das estórias dos personagens centrais, um universo de comportamentos, dramas, aflições e questionamentos sobre sexualidade e relacionamentos. Há o gay, a lésbica, o bissexual, o heterossexual, o jovem, o velho, o romântico, o compulsivo sexual... Todo este caleidoscópio está presente em um ambiente que é um misto de cabaré, clube, bordel, festa e consultório terapêutico chamado Sortbus. É neste ambiente que todos se despem de suas máscaras e extravasam suas fantasias e libertam-se de seus dramas e preconceitos.

Com relação às cenas de sexo o diretor John Cameron Mitchel explica: "Antigamente, quando não se podia mostrar cenas de sexo nos filmes, diretores como Alfred Hitchcock tinha metáforas para o sexo (trens entrando em túneis, etc). quando se pode mostrar cenas de sexo mais realistas, o sexo por si só pode ser uma metáfora para para outros aspectos da vida dos personagens. A forma com que as pessoas se expressam sexualmente podem dizer muito sobre quem são. Algumas pessoas me perguntam, 'Você não poderia ter contado a mesma estória sem a ser explícito?'. Eles não me perguntam se eu poderia ter feito Hedwig sem as canções. Por que não permitir o uso de cada cor da palheta de cores?"

Direção: John Cameron Mitchel
Ano: 2006
102 minutos

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